“DEPOIS DE TUDO”, CURTAMETRAGEM COM NEY MATOGROSSO SERÁ EXIBIDO NA ABERTURA DA MOSTRA. Dia 10 de junho (quinta) às 20h, na CAIXA Cultural Salvador

Por Fernando Secco

Revista Moviola

Depois de Tudo, de Rafael Saar, 12 min, 2008

A mania que alguns jovens cineastas têm de convocar grandes celebridades para seus curtas às vezes só os prejudica. Primeiro porque normalmente eles se esquecem de que grandes atores trazem para os papéis os vultos de si mesmos, impossíveis de se esquecer; depois pelo simples fato de que às vezes o ator rouba completamente a atenção para si, gera um falatório em torno do curta que pode deixar de lado o que realmente importa e transformar o filme apenas “naquele curta com o Fulano de Tal”. Delicadamente, porém, Depois de Tudo não sofre desse problema. Convocando duas grandes personalidades nacionais, Ney Matogrosso e Nildo Parente, o diretor Rafael Saar consegue deixá-los à vontade o suficiente para que sejam eles mesmos e tornar o filme emotivo o suficiente para ser maior que as celebridades dentro dele.

Com um roteiro tipicamente contemporâneo, com uma história que trata de um entre-meios, de um recorte ao invés de um todo, Depois de Tudo nos conta uma noite da afetiva relação entre dois homens de terceira idade. Nada muito complicado. Enquanto um chega do trabalho, o outro está cozinhando. Eles assistem juntos à Quando voam as cegonhas, trocam carinhos, numa bela cena de sexo e, no dia seguinte, se despedem.

O belo da narrativa do filme está na leveza com que ele trata seus signos, desde o lustre de A Liberdade é Azul; da relação do réquiem-de-desencontro que é Quando voam as cegonhas com o carinho e encontro dos dois senhores (aliás, diga-se de passagem, é o primeiro registro cinematográfico que tenho conhecimento de uma relação homossexual entre dois homens de terceira idade); até o uso das figuras míticas e públicas de Ney e Nildo para tratar de desejos mais do que íntimos. Está também na decupagem sincera, concisa e delicada, intimista; na direção de arte nada afetada; no incrível trabalho da fotografia escura e da câmera na mão; na bela atuação de dois mestres.

Uma pequena obra-prima de um cineasta em construção.

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